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Anvisa cancela registro do Elevidys: o que fazer se você tem decisão judicial pelo remédio da distrofia de Duchenne

A Anvisa cancelou o registro do Elevidys, remédio de alto custo para distrofia muscular de Duchenne. Veja o que muda para quem já tem decisão judicial.

Por Equipe Direito dos Raros · revisão jurídica Dr. Fernando Zaccaro (OAB/SP 174.554)
· 4 min de leitura

Ilustração de um quarto infantil ao entardecer, com uma cadeira de rodas ao lado da cama e uma caixinha de remédio fechada sobre a mesinha de cabeceira, transmitindo espera e esperança.

Tem um tipo de esperança que vem em forma de caixinha de remédio guardada na geladeira, esperando a próxima dose. Para famílias que enfrentam a distrofia muscular de Duchenne, essa esperança tem nome: Elevidys. E, para muitas delas, ela parou no meio do caminho.

O que aconteceu

Em agosto de 2026, a Anvisa cancelou — em comum acordo com a fabricante, a Roche — o registro do Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque), terapia gênica para distrofia muscular de Duchenne que pode custar cerca de R$ 20 milhões por dose. O remédio já vinha suspenso preventivamente desde julho de 2025, depois do registro de três mortes por falência hepática associadas ao tratamento nos Estados Unidos.

Segundo a agência, os dados apresentados pela fabricante não foram suficientes para manter o registro condicional concedido em dezembro de 2024. Com o cancelamento, o Ministério da Saúde informou que não é possível comprar o medicamento enquanto ele não tiver registro válido no país — mesmo para pacientes que já tinham decisão judicial garantindo o tratamento.

O caso ganhou repercussão nacional: pais de crianças que já haviam recebido o Elevidys criticaram publicamente a decisão, e famílias de outras regiões do país seguem aguardando o cumprimento de decisões judiciais que a própria Justiça já havia concedido.

O que muda na prática

Se você tem uma ação em curso ou uma decisão judicial pedindo o Elevidys, o cancelamento do registro pode travar o cumprimento — não porque o direito deixou de existir, mas porque o remédio não pode ser comprado ou importado enquanto durar essa situação regulatória.

Isso não significa que não há mais nada a fazer. A Anvisa está avaliando outras opções para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne, como o Givinostat, e cada família pode discutir com o médico responsável se algum desses caminhos se aplica ao quadro específico da criança.

O que fazer agora

  1. Fale com o advogado que acompanha o processo para entender a situação atual da decisão judicial e se é preciso peticionar diante do cancelamento do registro.
  2. Peça ao médico uma atualização do quadro clínico e uma avaliação sobre alternativas terapêuticas disponíveis ou em análise no Brasil.
  3. Guarde toda a comunicação com o Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde do seu estado ou o plano de saúde sobre a impossibilidade de fornecer o remédio.
  4. Busque associações de pacientes com distrofia muscular de Duchenne — elas costumam acompanhar de perto esse tipo de decisão regulatória e podem ajudar a entender o cenário.
  5. Não deixe o processo "parado": mesmo diante de um obstáculo regulatório, pode ser possível pedir ao juiz que avalie a situação e determine um novo prazo ou uma alternativa.

Caso ilustrativo: Mônica cuida do sobrinho, diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne, e havia conseguido na Justiça a garantia do Elevidys. Com o cancelamento do registro, o hospital informa que não pode mais aplicar o medicamento. Junto com o advogado da família, ela pede ao juiz uma nova decisão que leve em conta a situação atual e avalie, com o médico, se existe alternativa terapêutica disponível. (Exemplo fictício.)

Quando procurar ajuda especializada

Se você tem uma decisão judicial para o Elevidys que não está sendo cumprida, se o hospital ou o plano de saúde recusou o tratamento por causa do cancelamento do registro, ou se você não sabe se vale a pena discutir uma alternativa terapêutica, esse é o momento de buscar orientação jurídica especializada. Cada processo tem sua própria estratégia, e uma análise individual ajuda a entender os próximos passos possíveis.

Análise do Dr. Fernando Zaccaro

"O cancelamento do registro de um remédio não apaga o direito que uma família já conquistou na Justiça — mas pode, na prática, travar o acesso ao tratamento por um tempo. É nesse momento que a ação judicial precisa ser atualizada, não abandonada: o juiz pode e deve ser informado da nova situação regulatória para decidir os próximos passos, inclusive sobre eventuais alternativas em avaliação. Para quem já vive a jornada de uma doença rara, esse tipo de reviravolta é desgastante, mas não significa um beco sem saída — significa que é hora de rever a estratégia jurídica com cuidado."

— Dr. Fernando Zaccaro, advogado especializado em Direito dos Raros (OAB/SP 174.554)

Dúvidas frequentes

Quem já tinha decisão judicial garantindo o Elevidys perde esse direito?

A decisão continua existindo, mas o cumprimento pode ficar travado enquanto o medicamento não tiver registro ativo no Brasil — o Ministério da Saúde informou não conseguir comprar o remédio nessa condição. Pode ser possível pedir ao juiz que reavalie o caso, dependendo da situação.

Existe algum substituto para o Elevidys?

A Anvisa avalia outros medicamentos para distrofia muscular de Duchenne, como o Givinostat. Se essa é uma alternativa para o seu caso depende de avaliação médica e jurídica específica — não é uma resposta igual para todo mundo.

Por que o registro foi cancelado?

Segundo a Anvisa, o cancelamento ocorreu em comum acordo com a fabricante (Roche), diante de dados considerados insuficientes para manter o registro condicional concedido em dezembro de 2024, depois de relatos de mortes por falência hepática associadas ao medicamento nos Estados Unidos.

Cada caso é único.

Se essa situação parece com a sua, a nossa equipe pode analisar os detalhes com você.

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Conteúdo informativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB. Não constitui promessa de resultado nem substitui a orientação de um advogado: cada caso exige análise individual. Exemplos citados são ilustrativos.

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