Homem com ELA volta a falar com chip da Neuralink: o que já existe no Brasil, hoje, para quem perde a fala
Um implante experimental da Neuralink devolveu a fala a um paciente com ELA nos EUA. Veja o que já é possível pedir no Brasil enquanto essa tecnologia não chega.

Um homem que havia perdido a capacidade de falar por causa da ELA voltou a dizer "eu te amo" para a esposa. Não com a própria voz — com um chip implantado no cérebro, que traduziu o pensamento em som.
A notícia, divulgada pela Forbes, comoveu quem convive com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e doenças que também podem afetar a fala. Fizemos um vídeo explicando o caso:
O que aconteceu
Terence "Terry" Mandable, dos Estados Unidos, foi diagnosticado com ELA em 2024 e foi perdendo, aos poucos, a capacidade de falar. Ele é o terceiro participante do estudo de fala da Neuralink: eletrodos implantados numa área do cérebro ligada aos movimentos da fala registram a atividade de milhares de neurônios, enquanto um algoritmo de inteligência artificial aprende a reconhecer os padrões ligados à intenção de falar. O sistema converte esse sinal em texto e depois em voz sintetizada.
É importante ser claro sobre o que essa notícia é — e o que ela não é. O dispositivo continua experimental, não tem aprovação da FDA (a agência reguladora americana) para uso geral e não está disponível no Brasil. Não há previsão de quando, ou se, isso vai mudar.
O que já existe no Brasil, hoje
A perda da fala não é exclusiva de quem tem ELA — acontece também em outras doenças raras e neurológicas que afetam os músculos ou os nervos da comunicação. Enquanto tecnologias como a da Neuralink seguem em estudo, já existem recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) disponíveis hoje: desde pranchas de comunicação por figuras até aplicativos e comunicadores com rastreamento ocular, que permitem "falar" apontando o olhar para letras ou frases na tela.
Esses recursos podem ser buscados de duas formas:
- Pelo SUS, em serviços de reabilitação e centros especializados que atendem pessoas com deficiência e doenças raras;
- Pelo plano de saúde, com base em laudo médico e fonoaudiológico. A Lei 14.454/2022 obriga os planos a cobrir tratamentos e tecnologias que ainda não estão no rol da ANS, desde que haja comprovação técnica de eficácia e ausência de alternativa adequada já listada — o que pode incluir, dependendo do caso, um comunicador alternativo.
Vale reforçar: isso não é uma garantia automática. Cada pedido depende da documentação e da avaliação técnica do caso.
O que fazer agora
- Procure um fonoaudiólogo especializado em Comunicação Aumentativa e Alternativa assim que a fala começar a ser afetada — quanto antes a avaliação começa, mais opções ficam abertas.
- Peça um laudo detalhado, explicando por que o recurso de comunicação é necessário para aquele caso específico.
- Leve o laudo ao plano de saúde (se houver) ou procure o serviço de reabilitação do SUS na sua região.
- Guarde por escrito qualquer negativa — ela é o ponto de partida para buscar outras vias, se for o caso.
Caso ilustrativo: Marcos tem ELA e começou a ter dificuldade para articular palavras. O fonoaudiólogo indicou um aplicativo de comunicação por rastreamento ocular, com laudo detalhando a necessidade. A família pediu a cobertura ao plano de saúde, que inicialmente negou; buscaram orientação jurídica para entender os próximos passos. (Exemplo fictício.)
Quando buscar ajuda especializada
Se o plano de saúde negar a cobertura do comunicador, se o SUS não tiver o serviço disponível na sua região, ou se você tiver dúvida sobre qual caminho seguir, vale conversar com um advogado especializado. Cada caso pede uma análise individual — inclusive porque a tecnologia certa muda de pessoa para pessoa.
Análise do Dr. Fernando Zaccaro
"A notícia da Neuralink emociona porque mostra até onde a tecnologia pode chegar — mas ela ainda é uma promessa distante para quem vive com ELA no Brasil hoje. O que existe, e pode ser pedido agora, são recursos de comunicação alternativa já reconhecidos pela fonoaudiologia. A luta jurídica, muitas vezes, não é para acessar o futuro — é para garantir que o direito ao presente, que já está na lei, não seja negado por falta de informação."
— Dr. Fernando Zaccaro, advogado especializado em Direito dos Raros (OAB/SP 174.554)
Dúvidas frequentes
Esse implante da Neuralink já está disponível no Brasil?
Não. É uma tecnologia experimental, ainda em fase de estudo, sem aprovação da FDA nos Estados Unidos e sem registro no Brasil. Não há, até o momento, previsão de quando (ou se) ela estará disponível para uso clínico.
O plano de saúde é obrigado a pagar um comunicador alternativo para quem tem ELA?
Não é automático. Pode ser possível pedir a cobertura com base em laudo médico e fonoaudiológico que demonstre a necessidade, inclusive de tecnologias ainda fora do rol da ANS, conforme a Lei 14.454/2022. Cada pedido depende de avaliação técnica e, diante de negativa, de análise jurídica individual.
Forbes Saúde — Homem com ELA volta a falar após implante cerebral da Neuralink (24 de setembro de 2026)
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Conteúdo informativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB. Não constitui promessa de resultado nem substitui a orientação de um advogado: cada caso exige análise individual. Exemplos citados são ilustrativos.


