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Homem com ELA volta a falar com chip da Neuralink: o que já existe no Brasil, hoje, para quem perde a fala

Um implante experimental da Neuralink devolveu a fala a um paciente com ELA nos EUA. Veja o que já é possível pedir no Brasil enquanto essa tecnologia não chega.

Por Equipe Direito dos Raros · revisão jurídica Dr. Fernando Zaccaro (OAB/SP 174.554)
· 4 min de leitura

Foto de um tablet com aplicativo de comunicação por ícones sobre uma mesa, com mãos se aproximando da tela, em ambiente doméstico iluminado pela tarde.

Um homem que havia perdido a capacidade de falar por causa da ELA voltou a dizer "eu te amo" para a esposa. Não com a própria voz — com um chip implantado no cérebro, que traduziu o pensamento em som.

A notícia, divulgada pela Forbes, comoveu quem convive com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e doenças que também podem afetar a fala. Fizemos um vídeo explicando o caso:

O que aconteceu

Terence "Terry" Mandable, dos Estados Unidos, foi diagnosticado com ELA em 2024 e foi perdendo, aos poucos, a capacidade de falar. Ele é o terceiro participante do estudo de fala da Neuralink: eletrodos implantados numa área do cérebro ligada aos movimentos da fala registram a atividade de milhares de neurônios, enquanto um algoritmo de inteligência artificial aprende a reconhecer os padrões ligados à intenção de falar. O sistema converte esse sinal em texto e depois em voz sintetizada.

É importante ser claro sobre o que essa notícia é — e o que ela não é. O dispositivo continua experimental, não tem aprovação da FDA (a agência reguladora americana) para uso geral e não está disponível no Brasil. Não há previsão de quando, ou se, isso vai mudar.

O que já existe no Brasil, hoje

A perda da fala não é exclusiva de quem tem ELA — acontece também em outras doenças raras e neurológicas que afetam os músculos ou os nervos da comunicação. Enquanto tecnologias como a da Neuralink seguem em estudo, já existem recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) disponíveis hoje: desde pranchas de comunicação por figuras até aplicativos e comunicadores com rastreamento ocular, que permitem "falar" apontando o olhar para letras ou frases na tela.

Esses recursos podem ser buscados de duas formas:

  • Pelo SUS, em serviços de reabilitação e centros especializados que atendem pessoas com deficiência e doenças raras;
  • Pelo plano de saúde, com base em laudo médico e fonoaudiológico. A Lei 14.454/2022 obriga os planos a cobrir tratamentos e tecnologias que ainda não estão no rol da ANS, desde que haja comprovação técnica de eficácia e ausência de alternativa adequada já listada — o que pode incluir, dependendo do caso, um comunicador alternativo.

Vale reforçar: isso não é uma garantia automática. Cada pedido depende da documentação e da avaliação técnica do caso.

O que fazer agora

  1. Procure um fonoaudiólogo especializado em Comunicação Aumentativa e Alternativa assim que a fala começar a ser afetada — quanto antes a avaliação começa, mais opções ficam abertas.
  2. Peça um laudo detalhado, explicando por que o recurso de comunicação é necessário para aquele caso específico.
  3. Leve o laudo ao plano de saúde (se houver) ou procure o serviço de reabilitação do SUS na sua região.
  4. Guarde por escrito qualquer negativa — ela é o ponto de partida para buscar outras vias, se for o caso.

Caso ilustrativo: Marcos tem ELA e começou a ter dificuldade para articular palavras. O fonoaudiólogo indicou um aplicativo de comunicação por rastreamento ocular, com laudo detalhando a necessidade. A família pediu a cobertura ao plano de saúde, que inicialmente negou; buscaram orientação jurídica para entender os próximos passos. (Exemplo fictício.)

Quando buscar ajuda especializada

Se o plano de saúde negar a cobertura do comunicador, se o SUS não tiver o serviço disponível na sua região, ou se você tiver dúvida sobre qual caminho seguir, vale conversar com um advogado especializado. Cada caso pede uma análise individual — inclusive porque a tecnologia certa muda de pessoa para pessoa.

Análise do Dr. Fernando Zaccaro

"A notícia da Neuralink emociona porque mostra até onde a tecnologia pode chegar — mas ela ainda é uma promessa distante para quem vive com ELA no Brasil hoje. O que existe, e pode ser pedido agora, são recursos de comunicação alternativa já reconhecidos pela fonoaudiologia. A luta jurídica, muitas vezes, não é para acessar o futuro — é para garantir que o direito ao presente, que já está na lei, não seja negado por falta de informação."

— Dr. Fernando Zaccaro, advogado especializado em Direito dos Raros (OAB/SP 174.554)

Dúvidas frequentes

Esse implante da Neuralink já está disponível no Brasil?

Não. É uma tecnologia experimental, ainda em fase de estudo, sem aprovação da FDA nos Estados Unidos e sem registro no Brasil. Não há, até o momento, previsão de quando (ou se) ela estará disponível para uso clínico.

O plano de saúde é obrigado a pagar um comunicador alternativo para quem tem ELA?

Não é automático. Pode ser possível pedir a cobertura com base em laudo médico e fonoaudiológico que demonstre a necessidade, inclusive de tecnologias ainda fora do rol da ANS, conforme a Lei 14.454/2022. Cada pedido depende de avaliação técnica e, diante de negativa, de análise jurídica individual.

Cada caso é único.

Se essa situação parece com a sua, a nossa equipe pode analisar os detalhes com você.

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Conteúdo informativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB. Não constitui promessa de resultado nem substitui a orientação de um advogado: cada caso exige análise individual. Exemplos citados são ilustrativos.

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