Ela levou 1 ano para ser diagnosticada: o que fazer quando os sintomas da esclerose múltipla não aparecem em exame
Atriz revela esclerose múltipla após ano sem diagnóstico. Veja como sintomas invisíveis da EM podem ser documentados para o INSS e o trabalho.

Você sente que alguma coisa está errada — cansaço que não passa, memória falhando, dor que vem e vai —, mas os exames voltam "normais". Enquanto isso, a vida e o trabalho continuam cobrando como se nada estivesse acontecendo.
Foi mais ou menos essa a história que a atriz Ludmila Dayer, conhecida por "Malhação", contou numa live no Instagram.
O que aconteceu
Segundo reportagens, Ludmila relatou que os primeiros sintomas — perda de visão, dificuldade para encontrar as palavras, falhas de memória e dores fortes pelo corpo — começaram em 2020. Ela passou cerca de um ano fazendo exames sem conseguir um diagnóstico fechado, até ser diagnosticada com esclerose múltipla.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central. Boa parte dos seus sintomas — fadiga extrema, dor, falhas cognitivas, alterações de sensibilidade — pode oscilar de um dia para o outro e nem sempre aparece de forma clara numa ressonância ou num exame pontual.
A história pública da atriz é usada aqui só como gancho para o tema. Este artigo não trata de detalhes do tratamento dela nem do processo de diagnóstico fora do Brasil — o foco é o que a legislação brasileira prevê para quem enfrenta uma situação parecida.
Por que isso pesa tanto no INSS e no trabalho
Esse é exatamente o ponto que mais gera dor de cabeça na hora de pedir um benefício do INSS ou de negociar uma adaptação no trabalho: sintoma que não aparece num exame de imagem não significa sintoma que não existe.
Na perícia médica, quem avalia o caso trabalha com o que está documentado. Se o laudo só traz o diagnóstico (o CID), sem descrever o que a pessoa deixou de conseguir fazer, o pedido fica mais frágil — mesmo que a limitação real seja grande.
O mesmo vale no ambiente de trabalho: fadiga e falhas de memória são difíceis de "provar" no dia a dia, e isso pode gerar desconfiança de colegas e chefias, ou até uma demissão mal explicada logo depois de a empresa saber do diagnóstico.
O que fazer agora
- Peça ao neurologista um laudo detalhado, que descreva não só o CID, mas os sintomas relatados, a frequência das crises e o impacto real nas atividades do dia a dia e no trabalho.
- Mantenha um diário de sintomas (datas, duração, o que ficou impossível fazer naquele dia). Isso pode ajudar o médico a montar um relatório mais completo com o tempo.
- Guarde exames e relatórios de acompanhamento contínuo, não só o exame que confirmou o diagnóstico — o histórico ajuda a mostrar a evolução da doença.
- Peça adaptações por escrito (horário flexível, pausas, home office) e guarde a resposta da empresa, mesmo que seja negativa.
- Antes de assumir que "não tem direito a nada", procure entender qual benefício se aplica ao seu caso: auxílio por incapacidade, aposentadoria da pessoa com deficiência ou BPC/LOAS têm regras diferentes.
Caso ilustrativo: Joana, 38 anos, tem esclerose múltipla diagnosticada há dois anos. Nos dias de crise, ela sente fadiga extrema e dificuldade de concentração, mas seus exames de rotina não mostram alteração recente. Ao pedir o auxílio por incapacidade, ela levou um laudo do neurologista descrevendo as crises e um relatório com a frequência das faltas ao trabalho nos últimos meses. (Exemplo fictício.)
Quando procurar ajuda especializada
Se o benefício foi negado, se você sente que a empresa está te afastando por causa do diagnóstico, ou se não sabe qual caminho previdenciário faz mais sentido para o seu caso, vale conversar com um advogado especializado antes de tomar a próxima decisão. Cada situação depende dos laudos, do histórico de trabalho e das circunstâncias específicas.
Análise do Dr. Fernando Zaccaro
"O maior desafio de quem tem esclerose múltipla não costuma ser provar que tem a doença — é provar o que ela tira do dia a dia, porque boa parte dos sintomas não aparece num exame isolado. Um laudo bem construído, que descreva o impacto real e não só o diagnóstico, tende a ajudar bastante na análise do INSS ou numa conversa sobre adaptação no trabalho. Mas cada caso pede uma estratégia própria, olhando os laudos e o histórico de perto antes de qualquer pedido."
— Dr. Fernando Zaccaro, advogado especializado em Direito dos Raros (OAB/SP 174.554)
Dúvidas frequentes
A esclerose múltipla dá direito automático a algum benefício do INSS?
Não é automático. O benefício (auxílio por incapacidade, aposentadoria por invalidez ou BPC/LOAS, conforme o caso) depende da avaliação da perícia sobre o grau de limitação, do histórico de contribuição e da documentação apresentada. Cada caso pede uma análise individual.
Como comprovar sintomas como fadiga e falhas de memória, que não aparecem num exame de imagem?
Pode ser possível pedir ao neurologista um laudo que descreva não só o diagnóstico (CID), mas também os sintomas relatados, a frequência das crises e o impacto real nas atividades diárias e no trabalho. Relatórios de acompanhamento contínuo tendem a fortalecer o pedido, mas o resultado depende da análise de cada caso.
A empresa pode demitir um funcionário só porque ele tem esclerose múltipla?
A Justiça do Trabalho já reconheceu, em diversos casos, que demitir alguém logo depois de a empresa saber de uma doença grave pode ser considerado discriminação, com direito a reintegração ou indenização. Mas isso depende das provas e das circunstâncias de cada situação — vale conversar com um advogado especializado.
A Gazeta — Atriz Ludmila Dayer, ex-Malhação, revela diagnóstico de esclerose múltipla (22 de setembro de 2026)
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Conteúdo informativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB. Não constitui promessa de resultado nem substitui a orientação de um advogado: cada caso exige análise individual. Exemplos citados são ilustrativos.


