"Achei que fosse menopausa": o caso de Carol Ribeiro e o direito a investigar a fundo quando os sintomas não têm explicação
Carol Ribeiro levou 2 anos para descobrir que tinha esclerose múltipla. Veja o que pode ser possível exigir do plano até fechar o diagnóstico.

Você sente que alguma coisa no seu corpo está errada. Cansaço que não passa, formigamento, um tropeço estranho, uma noite — ou várias — sem conseguir dormir. Você procura um médico, faz exames, e a resposta vem incompleta: "pode ser estresse", "pode ser hormonal", "vamos observar". Os meses passam e a dúvida continua.
Foi mais ou menos essa a jornada que a modelo e empresária Carol Ribeiro, sócia da agência Prime Mgmt, contou ter vivido antes de descobrir que tinha esclerose múltipla.
O que aconteceu
Segundo reportagens, Carol relatou que os sintomas começaram por volta de 2021: visão embaçada, perda de força no braço esquerdo, calorões, tropeços durante desfiles e uma fadiga tão intensa que, em certo momento, ela chegou a ficar 17 dias sem conseguir dormir direito. Antes do diagnóstico correto, chegou a cogitar menopausa precoce e síndrome do pânico. A confirmação de esclerose múltipla só veio em agosto de 2023, quase dois anos depois dos primeiros sinais.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central. Parte dos seus sintomas — fadiga extrema, alterações de sensibilidade, confusão mental, insônia — pode se parecer com outras condições e nem sempre aparece de forma óbvia num único exame, o que ajuda a explicar diagnósticos que demoram meses ou anos para fechar.
A história pública de Carol Ribeiro é usada aqui só como gancho para o tema. Este artigo não trata de detalhes do tratamento dela — o foco é o que pode ser possível fazer, do ponto de vista jurídico, quando alguém enfrenta uma jornada diagnóstica parecida no Brasil.
O que pode ser possível exigir do plano enquanto o diagnóstico não fecha
Esse é um ponto que costuma passar despercebido: mesmo sem um diagnóstico fechado, o paciente não fica sem direitos.
Quando o médico assistente pede um exame — ressonância magnética, exames de sangue específicos, avaliação com neurologista —, a negativa do plano de saúde sob o argumento de que "ainda não há diagnóstico" pode, dependendo do caso, ser considerada abusiva. A Lei nº 14.454/2022 deixou expresso que o rol da ANS é exemplificativo, não taxativo: a ausência de um procedimento na lista, por si só, não autoriza a recusa quando há indicação médica e respaldo técnico-científico.
Isso vale também para uma segunda opinião especializada, importante justamente nos casos em que os sintomas não se encaixam num diagnóstico óbvio de cara.
O que fazer agora
- Guarde todos os exames e relatórios, inclusive os que vieram "normais" ou inconclusivos — eles ajudam a montar o histórico da investigação.
- Peça ao médico que registre por escrito os sintomas relatados e a necessidade de cada exame, não só o pedido em si.
- Se o plano negar um exame ou encaminhamento prescrito, peça a negativa por escrito (e-mail ou protocolo) antes de desistir ou pagar do próprio bolso.
- Considere pedir uma segunda opinião médica se os sintomas persistirem sem explicação por muito tempo.
- Não deixe de tratar por medo. Como a própria Carol Ribeiro comentou, é comum ouvir de outras pessoas que elas nunca começaram o tratamento por receio — mas, segundo relatos dela, a doença não evoluiu desde que o tratamento começou. Cada caso é diferente, e a decisão sobre o tratamento é sempre médica, mas adiar a investigação tende a jogar contra o próprio paciente.
Caso ilustrativo: Clara, 44 anos, começou a sentir formigamento nas pernas e um cansaço fora do normal. Em um ano, passou por três médicos diferentes sem fechar diagnóstico, e o plano negou a ressonância pedida pelo neurologista alegando falta de previsão contratual. Com a negativa por escrito em mãos, ela pôde buscar orientação jurídica para questionar a recusa. (Exemplo fictício.)
Quando procurar ajuda especializada
Se o plano de saúde negou um exame ou encaminhamento com indicação médica, se a investigação diagnóstica está se arrastando sem resposta, ou se você já tem um diagnóstico de esclerose múltipla e não sabe que direitos podem se aplicar ao seu caso, vale conversar com um advogado especializado. Cada situação depende dos laudos e das circunstâncias específicas, e só uma análise individual pode apontar o caminho mais adequado.
Análise do Dr. Fernando Zaccaro
"O relato da Carol Ribeiro mostra algo que vejo com frequência na prática: o paciente passa meses, às vezes anos, sendo tratado como se o problema fosse de cabeça ou passageiro, até alguém levar os sintomas a sério. Enquanto isso, o plano de saúde não pode simplesmente travar a investigação só porque ainda não existe um diagnóstico fechado — pode ser possível exigir os exames indicados pelo médico, com base na própria lei que tornou o rol da ANS exemplificativo. Cada caso tem suas particularidades, mas ninguém deveria desistir de buscar resposta por falta de informação sobre esse direito."
— Dr. Fernando Zaccaro, advogado especializado em Direito dos Raros (OAB/SP 174.554)
Dúvidas frequentes
O plano de saúde é obrigado a cobrir todos os exames necessários até fechar um diagnóstico como o de esclerose múltipla?
Em geral, encaminhamentos, ressonância magnética e outros exames prescritos pelo médico assistente podem ser de cobertura obrigatória, mesmo que o diagnóstico ainda não esteja fechado. Uma negativa pode ser questionada, mas o contrato e as circunstâncias de cada caso precisam ser analisados individualmente.
É possível pedir uma segunda opinião médica pelo plano de saúde?
Pode ser possível solicitar avaliação com outro especialista, principalmente quando os sintomas persistem sem explicação clara. O procedimento e a cobertura variam conforme o plano — vale confirmar as regras do contrato e, se necessário, buscar orientação jurídica.
Anos de sintomas sem diagnóstico fechado podem prejudicar um pedido futuro de benefício do INSS?
Podem dificultar, já que a perícia leva em conta a documentação acumulada ao longo do tempo. Por isso pode ser importante guardar todos os exames e relatórios desde o início dos sintomas, mesmo antes do diagnóstico — mas o resultado sempre depende da análise do caso concreto.
gshow (Globo) — Carol Ribeiro fala sobre diagnóstico: "Tenho esclerose múltipla e ela não é a minha vida" (1 de outubro de 2026)
Se essa situação parece com a sua, a nossa equipe pode analisar os detalhes com você.
Conteúdo informativo, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB. Não constitui promessa de resultado nem substitui a orientação de um advogado: cada caso exige análise individual. Exemplos citados são ilustrativos.


